O bebê nasceu, e agora mamãe de primeira viagem??

Quanto mais perto do dia do parto, maiores são as angústias e as dúvidas. A mamãe de primeira viagem nasceu junto com o bebê, e agora?

A família perfeita de propaganda de margarina é o desejo de todas, mas nem sempre ela vem logo após o nascimento do bebê, pode demorar mais do que você idealizou.

Quando nos tornamos mamães iniciantes entramos num novo estágio de nossas vidas. Você receberá diversas dicas, palpites e isso poderá aumentar um pouco a insegurança de que não está tomando suas atitudes e cumprindo suas tarefas como se deve.

Antes de mais nada eu pergunto, existe alguma mãe na face da terra que não tenha cometido algum engano ao cuidar do seu filho? A angústia em querer acertar 100% pode fazer com que se cometam alguns erros, mas não se culpe por isso.

Se você aceitar um humilde conselho, por favor, me escute. Tenha em mente que você precisa pensar um pouco em si também, pois isso refletirá nas suas atitudes e no seu modo de cuidar do bebê. É muito importante que você mantenha a calma, pois assim transmitirá segurança e tranquilidade.

Do mesmo modo que você, todos ao seu redor querem o melhor para a criança. Então, aproveite, crie uma rede de apoio com amigas mais chegadas, seu companheiro, sua mãe, sua sogra, uma tia… essas pessoas poderão te ajudar desde o cuidado com o bebê, com pequenas tarefas domésticas como lavar uma louça, por exemplo, e até te proporcionar um tempinho para um revigorante banho ou uma refeição tranquila.

A incerteza de que tudo será perfeito paira na cabeça de toda futura mamãe, com certeza, mas você pode criar uma metodologia para que isso se abrande com o nascimento do bebê. Saber lidar com esses sentimentos é um grande passo.

 

A mamãe de primeira viagem e o medo de não saber o que fazer

Conseguir lidar com dores pós-parto, hormônios, cansaço físico e mental nos primeiros momentos de vida do bebê não é uma tarefa fácil. O medo de não saber como agir pode ser aterrorizante para algumas mulheres.

Antigamente, quando a mulher descobria que estava grávida, e, principalmente, quando era mamãe de primeira viagem, logo surgia alguém dizendo: “Não se preocupe, você vai tirar de letra, o instinto materno é automático”. Essa frase, inúmeras vezes repetida, gerou muitas dúvidas entre as  mulheres, até nas mais fortes, que não tiveram uma experiência tão branda nos primeiros momentos como pensavam.

Mas calma, isso é normal para uma mamãe principiante. Tenha em mente que assim como para você, para seu bebê é uma nova vida que está sendo construída, e sim, com muitos erros e acertos.

Você deve concordar comigo que é bem desafiador sermos mamães principiantes, termos um bebê e um choro contínuo ecoando nos nossos ouvidos… seria bem mais fácil se os bebês já viessem com um manual de instruções, né? Pois então, temos que pensar que nem nós adultos temos uma cartilha e que, cada ser humano é único.

Tenha em mente que quando nasce uma mãe, nascem inúmeras dúvidas, questionamentos, incertezas e sentimentos como: “acho que não vou dar conta” ou “não saberei como fazer” ou até “‘será que serei uma boa mãe” não é privilégio só seu.

Sentir-se sobrecarregada nos primeiros dias é normal para as mamães de primeira viagem, ou para as mais experientes. Cada filho é um novo aprendizado, um novo desafio, uma nova aventura cheia de afeto e carinho.

Fale com pessoas próximas, troque experiências com amigas mais chegadas e, sim, aproveite suas consultas para conversar com seu obstetra, marque uma consulta com o futuro pediatra do seu bebê.

 

 

A expectativa e a realidade sobre a amamentação

 

O desejo poético de toda a mamãe é: bebê nasce, mama tranquilamente gerando uma super conexão mãe-filho e tudo flui. Mas, honestamente, às vezes a realidade é outra: o leite demora a descer, a conexão não é tão ágil e a mãe está exausta com o parto.

A amamentação é, e sempre será, uma experiência e não um ato de amor. O leite materno é o alimento completo do bebê, principalmente nos seus primeiros seis meses de vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde do Governo Federal do Brasil, não existe um tempo máximo para a amamentação de um bebê, mas sim, um mínimo recomendado.

A mamãe de primeira viagem tem que ter em mente que nenhum leite materno é fraco, muito menos o seu. Estudos indicam que ele fornece todos os nutrientes e a água que o bebê necessita, além de anticorpos para prevenir infecções.

O sonho de amamentar tranquilamente o próprio bebê pode não ser como você sempre imaginou. Muitas mulheres, mamães recentes ou não, passam por diferentes processos que, às vezes, tornam essa magia num momento desgastante e tenso por diversas razões:

  • “Pega” incorreta (Lembre-se, você tem que ensiná-lo mamar, ele acabou de nascer!)
  • Dor ao amamentar: ;
  • Fissuras no bico do seio;
  • Mastite;
  • Leite empedrado (Ingurgitamento);
  • Exaustão;
  • Produção excessiva de leite.

O reforço na alimentação do bebê depende de vários fatores que devem ser discutidos com o pediatra que acompanha a criança, pois as fórmulas devem ser receitas de acordo com o desenvolvimento e faixa etária.

Não se culpe se a amamentação do seu bebê não está de acordo com o que você esperava. Dê tempo ao tempo para vocês, peça ajuda e não tenha medo.

Aquela dúvida que parece boba, mas que todo mundo tem.

 

De quanto em quanto tempo o bebê deve mamar? O que fazer quando o bebê tiver cólica? Devo acordar o bebê para ele mamar? O que é o Teste do Pezinho?

Você não é, e não será, a única mamãe de primeira viagem que terá dúvidas e preocupações que parecem bobas, todas tem. Nesse momento da sua vida, não é hora mais para ter vergonha de perguntar. O que parece óbvio para um não é claro suficiente para o outro.

Para ajudar você, vamos responder as perguntas mais frequentes.

O que devo fazer quando o bebê tiver cólicas?

Definitivamente toda mamãe recente fica com essa dúvida.

Nos 3 primeiros meses de vida o bebê é normal o bebê ter cólicas (mas calma, nem todos os bebês que tem). Embora cientificamente não tenhamos uma causa, ao que tudo indica isso se dá devido a imaturidade intestinal.

Alguns pediatras indicam que uma das melhores maneiras de se evitar as cólicas é a amamentação exclusiva de leite materno, e cuidar de sua alimentação, evitando alguns alimentos propícios a gerar gases.

Para amenizar o desconforto você pode enrolar uma bolsa de água quente numa toalha  e colocar na barriguinha do bebê (lembre que o bebê é sensível, então cuide para que a temperatura não seja muito alta).

Se o bebê estiver muito agitado, deite-o na cama e, delicadamente, faça movimentos levando as perninhas para frente e para trás ou massageie a barriguinha para ajudar a liberar os gases retidos. Outra dica simples é manter um ambiente reconfortante e calmo, são um banho morninho e música suave para que ele se acalme.

Em suma, converse sempre com o pediatra, evite ao máximo as receitas caseiras indicadas pelas amigas ou familiares.

De quanto em quanto tempo  devo amamentar?

Atualmente a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que um recém-nascido deve mamar de 08 a 12 vezes por dia, pois a quantidade de leite consumida é muito pequena.

Posteriormente, com o passar do tempo, o número de vezes diminui, pois a quantidade consumida aumenta.

 

Devo acordar o bebê para ele mamar?

Essa é uma dúvida constante nas mamães iniciantes. Os bebês já nascem com uma certa “reserva técnica” para que dê tempo da mãe produzir o leite materno, por isso eles perdem peso após o nascimento. A recomendação dos pediatras é que, durante o período de recuperação desse peso, em torno de 10 a 15 dias após o nascimento, sim você acorde o bebê para mamar num intervalo de 2-3 horas.

De acordo com o tempo, você, junto com o pediatra, devem avaliar se o bebê está dentro da curva de crescimento para dar continuidade ou não

Alguns estudos defendem a amamentação noturna, pois ela é responsável pela produção do leite da mãe e a produção de melatonina para a criança, hormônio responsável pela regulagem do sono.

Faixa ou moeda no umbigo ajudam?

Definitivamente não use essas técnicas ultrapassadas.

Pense que a pele do bebê recém-nascido é muito sensível. Hoje, essas práticas, adotadas antigamente, não são recomendadas, pois podem gerar infecções ou irritações na pele.

Preciso dar água ou chá se estiver muito calor?

Nos primeiros 6 meses de vida o bebê não precisa de nada além do leite materno. Assim como as mamães de primeira viagem têm muitas dúvidas, as vovós de primeira viagem tem muitos palpites e muitas dicas de épocas mais antigas que, hoje em dia, com o avanço da medicina não são mais indicadas.

Quais vacinas ele toma ao nascer?

Ainda na maternidade, tanto em hospitais públicos quanto privados, você receberá um caderninho com diversas informações importantes e, dentre elas, o calendário vacinal. As primeiras vacinas, BCG (aquela da marquinha no braço) e Hepatite B,  são feitas ainda na maternidade.

Teste do pezinho: é realmente necessário? Quando deve ser realizado?

O teste do pezinho foi implantado em 1976, com o intuito de detectar a fenilcetonúria. Em 2021 foi implantada a Lei nº 10.889/2001 que o tornou obrigatório em todas as maternidades públicas. Porém, em 2021, houve uma alteração nessa lei que ampliou o rastreamento do teste para 50 doenças, o que antes eram apenas 06.

Ele deve ser realizado entre o 2º e 5º dia de vida e é feito na própria maternidade.

 

O que tem na fralda?

Enquanto o bebê estiver se alimentando com o leite materno é normal que o cocô do bebê seja líquido e de cor amarelada.  Não se preocupe, a cor amarelada indica que o bebê está super saudável.

 

Porque o bebê regurgita?

Você já ouviu falar que toda a vez que o bebê mama, logo após deve-se colocá-lo para arrotar correto? Nesse momento, algumas vezes, acontece o regurgitamento. Esse processo é super normal, pois o sistema digestivo do recém-nascido ainda está em fase de desenvolvimento. À medida que o bebê vai crescendo isso vai diminuindo. Uma dica é sempre ter uma toalhinha quando vai amamentar o bebê para secar e limpar o leite regurgitado.

 

Já ouviu falar em “Baby Blues”? Mas afinal, o que é isso?

Ao conrário do que se pensa, já no século XX, a psiquiatria perinatal (saúde mental relacionada à gravides e período pós-parto) e a medicina moderna detectaram diversas mulheres que relataram choros, sensibilidade emocional e tristeza, dias após o parto que não eram compreendidas como um fenômeno específico.

Esses padrões emocionais comuns, de forma leve e temporária, geraram uma investigação científica, que identificou a diferença da depressão pós parto (mais profunda e duradoura).

Uma das principais causas desse fenômeno, identificada por endocrinologistas, são as quedas bruscas de hormônios (estrogênio e progesterona) logo após o parto, muito elevadas ao longo da gravidez.

Cientificamente, essa alteração repentina pode afetar a regulação hormonal, o humor e a sensibilidade ao estresse durante até duas semanas. Se somarmos essas mudanças com a adaptação à maternidade e o cansaço extremo teremos um quadro típico de Baby Blues.

O que era antigamente vivido em silêncio, hoje é perfeitamente compreendido e reconhecido como um processo comum, fisiológico, temporário e como parte da adaptação ao pós-parto

A culpa materna

Mesmo buscando fazer tudo da melhor maneira possível, toda mamãe iniciante, e até mais experientes, passam por um momento de culpa materna.

Seja por querer trabalhar fora, por querer alguns minutos de silêncio, por querer alguns momentos de descanso ou seja por, simplesmente, não amar em tempo integral. A culpa materna é um sentimento universal no mundo das mamães.

Ela chega de forma silenciosa, se instala e persiste, de forma quase que automática. Mesmo quando tentamos fazer  o melhor que podemos, surge aquela dúvida: “Será que estamos mesmo fazendo tudo certo?”.

Existe a culpa por querer trabalhar e ter que deixar o bebê com alguém, ou em alguma creche. Da mesma forma que existe a culpa por não trabalhar e o desejo de criar uma rotina que vai além de cuidados constantes e rotinas da casa.

A culpa pelo desejo de um tempo sózinha, curtindo um silêncio, um longo banho ou um café sem interrupções. Mas, mais culpa ainda quando esse momento chega e algumas mães sentem um desconforto estranho, um sentimento de abandono do bebê.

Ser uma boa mãe não significa estar 100% disponível, ou totalmente grata, ou sempre pacienciosa… temos que lembrar que, antes de nos tornarmos mães, somos seres humanos que falham e acertam.

Tenha em mente mamãe iniciante que, ser mãe, é concedermos nossa melhor energia  naquele momento que estamos passando, é estar realmente presente, é cuidar de um filho com a melhor intenção.

A maternidade verdadeira é a maternidade mais perfeita que seu filho poderá encontrar durante toda a vida dele. O amor real que lhes damos muitas vezes não é tão paciencioso, algumas vezes vem acompanhado de uma profunda exaustão, mas estará sempre ajustando rotas  e em movimento para recomeçar no dia seguinte.

O que ninguém conta, mas se aprende vivendo

Ser realmente presente e tornar-se cada vez mais humana é o que todo o bebê precisa. Você não deve se sentir obrigada a saber tudo, mesmo que o mundo espere isso de você.

Ao longo dos dias, você observará e aprenderá a ser tão mãe, quanto seu bebê aprenderá a ser filho. Enquanto você está com a cabeça cheia e corpo cansado você vai saber lidar com as diversas situações do dia a dia.

Haverá dias em você se sentirá sobrecarregada, que o mundo está nas suas costas, mas lembre-se que amar é cair, levantar, resolver os problemas e se reerguer para o dia seguinte. O tempo passa rápido, na verdade ele voa! Você já está preparada para acompanhar a próxima fase do seu bebê? Já pensou na introdução dos alimentos, engatinhar, desenvolvimento da fala? Esses são tópicos também importantes que falaremos a seguir.

Acima de tudo, lembre-se que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, muito pelo contrário. Respire fundo, levante a cabeça. Se existe uma coisa que toda a mamãe de primeira viagem tem que, e merece, escutar é:

“Você é super capaz e está fazendo o melhor que consegues!!”.